Fazer um trabalho de fortalecimento
da liderança, aliado à recreação e a um trabalho social é possível através dos
Jogos Teatrais. Mas o que é isso? Os Jogos Teatrais foram criados por Violan
Spolim a partir de uma experiência muito rica ao trabalhar em
Chicago-EUA com imigrantes na Neva Boyd's Group Work School (Escola de
Formação de Trabalho de Grupo de Neva Boyd), entre 1924-1927.
Construindo os Jogos Teatrais a
partir da experiência de Neva Boyd, Viola respondeu pelo desenvolvimento de
novos tipos de jogos que focam na criatividade individual, adaptando e
reforçando o conceito de jogo como chave para abrir a capacidade de
auto-expressão criativa. Estas técnicas foram mais tarde formalizadas sob o nome
de Jogos Teatrais ou Theater Games. Em 1946 Spolin
fundou a Young Actors Company (Companhia dos Jovens Atores) em
Holywood. Crianças a partir de seis anos de idade foram treinadas pelo, ainda
em desenvolvimento, sistema de Jogos Teatrais para suas produções
artísticas, o que se tornou um sucesso comprovado. O trabalho de Viola Spolin
torna-se conhecido no Brasil em 1978, primeiramente como ferramenta pedagógica
e depois como método de interpretação, a partir da tradução ao português de seu
primeiro livro Improvisação para o Teatro por Ingrid Koudela
e Eduardo Amos, bem como O Jogo Teatral No Livro do Diretor e
os dois últimos Jogos Teatrais: o fichário de Viola Spolin e O
Jogo Teatral Na Sala de Aula, traduzidos pela Profª. Drª. Koudela –
USP.
(…) a Revista Entre Aspas entrevistou
o arte-educador, o professor especialista Robert Rodrigues,
conhecido como Bob, e que também assina artisticamente como Monteleone -
licenciado em Artes Cênicas pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade
de São Paulo e pós graduado em Turismo e Hotelaria pelo SENAC-SP, onde se
aprofundou nos estudos do lazer e do lúdico.
Bob, como estão sendo suas aulas?
Durante as aulas, abordamos a
linguagem cênica através do fazer teatral com os Jogos Teatrais, que são nosso
eixo norteador. Os exercícios consistem na solução de “problemas” propostos nas
aulas e é incrível o poder que o teatro tem de cativar as pessoas e fazer com
que elas se envolvam de forma lúdica sem perder o foco.
Como tem sido sua metodologia?
Trabalhando com teatro-educação ocupo
a posição de professor-diretor e os alunos participam como aluno-ator ou
aluno-espectador, onde numa primeira fase das oficinas utilizamos exercícios de
expressão corporal com jogos de atenção e observação para que o aluno
desenvolva a consciência de sua identidade corporal em relação aos outros,
facilitando a percepção de si mesmo ao observar a estrutura do corpo humano
como um todo ao cuidar de sua postura. Em seguida, aplicam-se jogos teatrais,
similares aos jogos tradicionais, que se diferenciam pelas regras, onde o
importante não é ganhar o jogo, mas sim focar no tema proposto. Em uma
penúltima fase parte-se para a improvisação de pequenas cenas. Numa última fase
trabalham-se em cima de pequenos textos com a preparação de personagens.
A proposta é formar atores?
Nossa proposta é contribuir para a formação de seres humanos melhores,
mais completos, através das inquietações e questionamentos que vão surgindo.
Quem resolver se enveredar pelo lado teatral como ofício, tanto pela paixão como
profissionalmente, já terá dado meio passo! No nosso caso o curso é livre,
nossa idéia é proporcionar um contato com a linguagem cênica como forma de
contribuir para a formação de um ser humano que consiga se comunicar e se
expressar. Todo o processo visa o conforto e o respeito às limitações de cada
um, sem expor ninguém ao ridículo.
Qual o ganho que se tem ao participar
de um curso de teatro com essa técnica?
O Jogo Teatral é uma ferramenta
facilitadora da aquisição da linguagem cênica: a manutenção do espaço cênico, o
foco no “problema” a ser resolvido com respostas próprias de cada participante
através de experimentações cênicas, sem pré-julgamentos de certo ou errado, o
que possibilita a compreensão da linguagem teatral com um trabalho de preparação
para a apresentação de possíveis cenas, atendendo-se principalmente ao processo
como um todo, onde cada momento único e de entrega durante os exercícios que
serão comentados e discutidos, buscando assim, um crescimento coletivo, sem
supervalorizar o tão sonhado “produto final” ou uma grande apresentação
teatral; pelo menos até realmente todos estarem prontos para isso, sem pressa,
sem traumas desnecessários.
Você pode citar alguns trabalhos
importantes que já realizou?
Já fui premiado em um festival de teatro
no município de São Paulo como melhor ator e iluminador no espetáculo infantil
“Pluft, o Fantasminha” de Maria Clara Machada. Já viajei pelo Brasil no Projeto
Saúde Brasil apresentando performances em grandes empresas sobre os temas: “Uso
Abusivo de Álcool” e a “Importância dos EPI´s”. Participei da montagem da peça
“Ratos e Homens” de Steimbeck como Leny, um personagem com uma forte carga
emocional, que inclusive já foi interpretado por Jhon Malckovich no cinema. Já
dirigi “Um Inimigo do Povo” de Ibsen e peças de conscientização escritas e
adaptadas por mim, como “Dra. Dentina X Bactogildo”, que levava uma mensagem
sobre saúde bucal, a peça “H2O70” que alertava sobre a escassez de água que
poderá ocorrer em 2070. Um trabalho muito importante foi realizado em 2010 na
PETROBRAS, onde apresentei peça sobre os “5´s - Cinco ésses japoneses” como
Senhor Senso e performances com os personagens Mago Sensum e o Palhaço
Sensolino.
Adultos também podem aprender teatro
através dos Jogos Teatrais?
Sem sombra de dúvidas, principalmente
os que têm medo de falar em público ou de se expressar. Em 2009 tive uma
experiência muito rica ao lecionar para os funcionários da prefeitura de
Atibaia-SP, as mudanças eram evidentes, os mais tímidos aprenderam a colocar
suas idéias, os mais agitados e inquietos aprenderam a se controlar, algumas
pessoas do setor vinham curiosos me perguntar o que eu tinha feito para essa
pessoa conseguir se concentrar mais, simplesmente respondi: “não fiz nenhuma
mágica, apenas utilizei a ferramenta certa para ajudá-la a se desenvolver.”
Houve também um caso de promoção para um cargo de chefia e essa pessoa veio me
agradecer, falando do quão importante foi a experiência com o teatro.
Para quem quiser tirar dúvidas sobre
teatro, deixamos o contato do professor: bobmonteleone@gmail.com –
(73)9973-7263
(Matéria publicada na
Revista Entre Aspas – Edição 13 – Arte e Cultura – Ilhéus-BA)
Bob
Monteleone, é licenciado em Artes Cênicas pela Escola de Comunicação e Artes da
USP, pós graduado em Docência no Ensino Superior de Turismo, Hotelaria e Lazer-SENAC,
professor, diretor teatral e educador ambiental.
Todas as
quintas ele escreve sobre Teatro Educação aqui no EUVEJOARTE.blogspot.com

