Noite de sábado, último sábado de janeiro, do ano que os “profetas do apocalipse” trombeteiam o fim dos tempos... 28 de janeiro de 2012, noite de “SÁBADO SIM SIM”
– durante todos os sábados do mês, bandas dos mais variados estilos e
tendências da cena independente passaram pelo palco da Casa dos
Artistas, para deleite de um público ávido e seleto, que busca o que de
melhor pode proporcionar aos seus ouvidos e mentes exigentes.
Foi a noite do reggae. Noite caliente,
em todos os sentidos: público bonito e participativo, sonzasso “no
talo” e com qualidade – graças a Cabeça (Improviso Nordestino) e Binho
(Quizila), que suaram “bicas” para proporcionar a equalização massa ; e
um calor “da zôrra”! – sem querer exagerar, acho que o termômetro bateu
os 40!!! Com tudo isso, só faltavam as bandas.
qui.zi.la : aversão espontânea, irracional, gratuita por (alguém ou algo); antipatia, inimizade,sensação de impaciência; aborrecimento,conflito de interesses; briga, rixa, pendência. O significado da palavra não corresponde a essencia da banda, ao menos que se queira transmitir com sua tradução a aversão e a antipatia contra o marasmo e a pobreza musical; a briga com a imbecilidade das letras chôcas e o conflito de interesses com os empresários e produtores que só visam o lucro fácil e preferem investir em “bandinhas-bundinhas-de bundões",
de qualidade duvidosa e que nos enervam com suas harmonias
desarmonicamente toscas.Pensado bem... em sendo assim, QUIZILA tem tudo a
ver.
Casa dos Artistas, 20 horas. A galera passa, para, olha o cartaz – que ficou “show de bola”; e entra. Vai começar o som. Quizila é a primeira tocar. Entrou em cena as 20:30 e mandou ver, com qualidade e responsa.
No repertório músicas próprias e até uma releitura de um clássico retrô
dancing. O carisma e a força vocal de Fabrício impressiona; a galera
canta junto e vibra com a performance desse figuraço.
Binho
executa com competência as bases e solos de guitarra, sua presença em
palco inspira respeito. Matheus “Theu” Vasconcelos e Rogério “Sekão”,
são a cozinha da banda, respectivamente, baixo e batera; porrada pura! Nos teclados, Luiz “Snake” não
decepciona; ele tem bagagem e experiência de longas datas, inclusive
participou da formação da banda JONAS E A BALEIA, projeto nascedouro da atual JAH BLESS.
Não
podia dar errado, e não deu! Concorrendo com IVETE no Centro de
Convenções e um show gospel , “de grátis” , na Soares Lopes; o projeto
“Sábado Sim” cumpriu com seu objetivo: proporcionar música de qualidade e
divulgar os nomes de artistas regionais. Infelizmente, persiste o mesmo
choramingo: Falta de apoio, patrocínio, compromisso.
Não é fácil carregar nos ombros a responsabilidade de mostrar
ao povo que a arte ainda vive e sobrevive graças a iniciativas como
estas, da galera da “Casa”, da turma do Teatro Popular – premiadíssimo;
da trupe da Cia Casa Aberta de Teatro, que
corre atrás de um sonho e sabe “sonhar grande”; das nossas bandas –
“Improviso” , “Luiz Bob” , “Jah Bless”...; nossos músicos – Amanda
Andrade, Ivan Moraes, Nozinho “Tim Maia” ... ; poetas, trovadores e
atores.
Quizila
chegou, tocou e deu seu recado. Valeu cada minuto do show, cada centavo
da entrada, cada acorde tocado, cada gota de suor derramado. O
pagamento veio sob a forma mais valiosa para o artista: o reconhecimento
de seu público, o aplauso, o pedido de “bis”. IVETE pode ter tido o
maior público mas o “Sábado Sim” teve o mais “positivo”, mais forte,
mais verdadeiro.
21:30
– Quizila encerra sua participação. Chegou a vez da banda JAH BLESS
subir no palco... mas isso a gente conta na matéria da próxima semana. JAH bless.
