Diretamente do acervo da Casa dos Artistas... Em 29 de Junho de 2002, completa uma década que a cultura baiana perdeu o grande artista Pedro Mattos, ele partiu, porém deixou muitos frutos para essa geração. Então fica aqui...
HOJE, NO PALCO DA LEMBRANÇA, APRESENTAMOS - AFLITO PAPEL –
ESTRELANDO – PEDRO TEATRO ARTE DE MATTOS
Cirandava...
Das oito a mais das dezoito...
Teatro, casas artistas, amado,
Casas matas, trincheiras suas.
Caderno na mão, anotação.
Bermudas, camisas, sandálias descuidadas.
Do arrastante ao rápido andar.
Parado, braços cruzados, caderno pra trás,
Alisando a pêra.
Cabelo rente, houve cavanhaque,
Cyrano de Bergerac.
Resmugante, fala pegante,
Pela arte rugia:
“Filho desta... Filha desta...
Não é possível... que coisa...”
O feito não contava... queria o fazer.
“Vou-me embora! Não fico aqui!
Para Itabuna, Ibicaraí...”
Ia. Voltava práqui.
Artista fez arte. Ensinava, encenava, aprendia;
No palco na coxia.
Anárquico fez anarquia. Boêmio fez boêmia.
Carnavalesco fez ironia.
Sem dó ou com amor, jornalista, escrevinhador.
Irrequietão.
Naquele dia...
No teatro, no saguão.
Aflito papel representou sem ensaiar.
Ter que ficar,
Sem respirar, sem se mexer, sem levantar,
Sem a mão no queixo alisando a pêra.
Inerte. Caladão.
Que doidera, hein Pedrinho?
Essa não!!!!!
Assobios,
Barão de Popoff
P.S. – Você não viu, as flores empatavam. Na porta do
Teatro um tablado. Subiram tocadores, embargados, poetas, cantores, palradores.
Cada um com seu buquê de adeus.
Foi legal P.T.A.
DE MATTOS, muito legal. OK!
Jornal Diário de Ilhéus, quarta-feira, 10 de julho de
2002. Pág 06
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