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quinta-feira, 7 de junho de 2012

“Istórias” de Ilhéus - por ALFREDO AMORIM


Participando da reunião dos “RM” na Barrakítica, ouvindo suas conversas e lembranças do passado, ouvi esta história, este apronte, do tempo em que eles ainda eram meninos, lá pelos anos de 1950.
 “Istória” vivida e contada por Gileno Araujo.

No fim do dia, sempre que saiam do trabalho, ele e seus amigos iam para a porta da república de Raimundo Mota, na Rua Sete de Setembro, onde moravam, sentavam na calçada e ficavam conversando abobrinhas, jogando conversa fora, até uma, duas horas da madrugada, chupando picolé, feito no Bar Guanabara, e rolete de cana.
A turma era grande, Gileno, Zé Brandão, Gonçalo Cruz, Raimundo Mota, Alcir Brito, Agenor, Castor, Santinho e muitos outros.

Certa noite, Santinho, que era o mais gozador da turma, laçou com seu cinturão, um jerico que ficava nas imediações, comendo os restos dos bagaços de cana que eles chupavam, e levou para o quarto onde dormia um dos membros da republica, trancou o jerico no quarto com o cara, que estava num sono pesado, e ficou calado, não disse nada a ninguém.
O fato é o seguinte: tinha um jegue que ficava no morro da Vitória, ao lado do cemitério, que todas as noites, exatamente às 10 para as 12 horas, começava a relinchar, o danado era o relógio da turma, era impressionante, toda noite, exatamente na mesma hora, faltando 10 minutos para as 12 horas ele começava a relinchar.
Foi ai que aconteceu a “istória”, quando o jegue do cemitério começou a relinchar, o que estava trancado no quarto respondeu imediatamente, o cara acordou desesperado, sem saber o que estava acontecendo, pois o quarto estava com a luz apagada, em completa escuridão.
 A turma, do lado de fora, não sabia quem estava mais desesperado, se o cara ou o jerico, correram para o quarto e quando abriram a porta se depararam com a terrível cena burlesca, o cara nu, com os braços para cima, encostado na parede, gritando desesperado, o mesmo acontecendo com o jerico.
Quando se descobriu que foi um apronte de Santinho, o cara queria matá-lo, Santinho sumiu, só apareceu uma semana depois.


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Alfredo Amorim é ilheense nascido e criado nessas terras, membro do Instituro Histórico de Ilhéus e observador atento das ruas da cidade.

            


fonte da imagem http://www.pimentasnoreino.com/2011/11/o-jumento-virtual.html
           

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