Participando da reunião dos “RM” na
Barrakítica, ouvindo suas conversas e lembranças do passado, ouvi esta
história, este apronte, do tempo em que eles ainda eram meninos, lá pelos anos
de 1950.
“Istória” vivida e contada por Gileno Araujo.
No
fim do dia, sempre que saiam do trabalho, ele e seus amigos iam para a porta da
república de Raimundo Mota, na Rua Sete de Setembro, onde moravam, sentavam na
calçada e ficavam conversando abobrinhas, jogando conversa fora, até uma, duas
horas da madrugada, chupando picolé, feito no Bar Guanabara, e rolete de cana.
A turma era grande, Gileno, Zé
Brandão, Gonçalo Cruz, Raimundo Mota, Alcir Brito, Agenor, Castor, Santinho e
muitos outros.
Certa noite, Santinho, que era o
mais gozador da turma, laçou com seu cinturão, um jerico que ficava nas
imediações, comendo os restos dos bagaços de cana que eles chupavam, e levou
para o quarto onde dormia um dos membros da republica, trancou o jerico no
quarto com o cara, que estava num sono pesado, e ficou calado, não disse nada a
ninguém.
O fato é o seguinte: tinha um jegue
que ficava no morro da Vitória, ao lado do cemitério, que todas as noites,
exatamente às 10 para as 12 horas, começava a relinchar, o danado era o relógio
da turma, era impressionante, toda noite, exatamente na mesma hora, faltando 10
minutos para as 12 horas ele começava a relinchar.
Foi ai que aconteceu a “istória”,
quando o jegue do cemitério começou a relinchar, o que estava trancado no
quarto respondeu imediatamente, o cara acordou desesperado, sem saber o que
estava acontecendo, pois o quarto estava com a luz apagada, em completa
escuridão.
A turma, do lado de fora, não sabia
quem estava mais desesperado, se o cara ou o jerico, correram para o quarto e quando
abriram a porta se depararam com a terrível cena burlesca, o cara nu, com os
braços para cima, encostado na parede, gritando desesperado, o mesmo
acontecendo com o jerico.
Quando se descobriu que foi um
apronte de Santinho, o cara queria matá-lo, Santinho sumiu, só apareceu uma
semana depois.
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Alfredo Amorim é ilheense nascido e criado nessas terras, membro do Instituro Histórico de Ilhéus e observador atento das ruas da cidade.
fonte da imagem http://www.pimentasnoreino.com/2011/11/o-jumento-virtual.html

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