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segunda-feira, 4 de junho de 2012

“Maio Mês da Dança” - Desabafo - POR SÔANNE MARRY


foto: Tacila Mendes
            Estar inserida no Projeto Maio Mês da Dança é a grande oportunidade de mostrar juntamente com os demais profissionais da dança de Ilhéus a nossa obra de arte que é dançar. O Maio é uma verdadeira vitrine dos trabalhos construídos com dedicação, amor e criatividade com o intuito de mostrar o melhor dentro das composições realizadas com seus alunos e seguidores.  Através desse projeto, criado por Maurício Corso há 20 anos, é possível ofertar o público com coreografias que refletem a nossa cultura, além de oportunizar os alunos de cada escola de dança as emoções que o palco oferece de forma única em cada apresentação. Acredito que o grande objetivo do criador do projeto sempre foi proporcionar aos dirigentes das escolas e seus alunos o prazer de está no palco e mostrar da melhor forma possível a sua obra e ao público um festival de belas coreografias.

            Porém, ao longo da trajetória do projeto ainda não foi dissipada algumas práticas inconsequentes de alguns participantes, percebe-se ainda a existência elevada de preconceito racial e sexual, desavenças causadas pelo sentimento de inveja, críticas infundadas e falta de orientação aos alunos com relação a respeitar o trabalho alheio. São lamentáveis algumas atitudes contraditórias de alguns dirigentes, que por sentirem-se inferiorizadas criam situações lastimáveis. É preciso rever alguns conceitos e, no mínimo, respeitar as manifestações artísticas elaboradas pelos colegas, afinal está inserido num projeto como esse não é somente trabalhar pela remuneração ou aquisição de mais alunos, mas também é dedicar-se a sua profissão enquanto artista, educador, criador e formador de opinião.
            Se cada dirigente procurar conscientizar seus alunos e o seu público da importância de toda e qualquer manifestação artística como um todo, o projeto “Maio Mês da Dança” tornar-se-á uma grande ascensão da dança em Ilhéus. A falta de bom senso e união entre os diretores das escolas leva a construção da dança enquanto instrumento de comunicação e educação a um caminho equivocado, causando assim, a desconstrução do objetivo da dança. 
            Alguns diretores fazem questão de denegrir o trabalho de outros tanto para os alunos, quanto para o seu público, temendo assim uma transição de seus alunos para outras escolas, esquecendo-se de criar novos trabalhos e dedicar-se a construção cultural de seus seguidores. Imagino que dessa forma não é possível conseguir desenvolver-se enquanto profissional, mesmo tendo vários anos de profissão.
            Somos todos profissionais conhecidos em Ilhéus, ou pelo tempo de trabalho ou pelas realizações profissionais que se destacam ao longo da nossa trajetória, não se faz necessário a exacerbar-se na concorrência pelo sucesso ou pela melhor colocação no ranque da dança, cada profissional tem o seu estilo e características diferentes, cada um realiza com louvor a sua proposta e constrói a sua história sem precisar passar por cima do outro. 
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Sôanne Marry é bailarina, coreógrafa e educadora física, ministra cursos e oficinas de dança na região. Todas semana ela escreve no EuVejoArte.blogspot.com sobre Dança. 

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