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terça-feira, 12 de junho de 2012

Vamos ler Jorge Amado? - por ALDERACY PEREIRA DA SILVA JUNIOR


A pergunta que faço tem várias razões. A primeira delas é que o verbo “ler” não aceita o imperativo, assim como o verbo “amar”, com bem assinalou Daniel Pennac, em Como um romance. A segunda é entender que ler uma obra literária implica em uma leitura de fruição. A terceira é que Jorge Amado tem uma obra diversificada e ricamente traduzida em muitos idiomas e linguagens artísticas. A quarta é que estamos falando de uma das grandes personalidades literárias do Brasil e um homem notável pela sua expressividade e participação política na história de nosso País.
Vou me deter em duas novas razões para ler Jorge Amado, que estão mexendo com minha cabeça nos dias atuais: a) mais importante do que ouvir falar sobre a obra de um escritor, certamente é ler o texto para conhecer as estratégias de sedução utilizadas pelo mesmo; b) estamos diante de um escritor que soube como poucos transitar criativamente entre ficção e realidade.
Não acredito que exista uma “leitura melhor”, “leitura correta”, porém acredito que a forma diferenciada como lemos pode ser ampliada de maneira a nos possibilitar compreender uma obra e sentirmos prazer ao ler. A obra jorgeamadiana é citada de forma diversificada: nomes de rua, nome de empresas, objetos artísticos e representações artísticas (charge, tirinhas, foto, perfomace, etc). Certamente um leitor literário dessas obras, entenderá a conexão estabelecida e ainda criará novas relações de sentidos. Ao ouvir as músicas criadas baseada nesse rico universo literário, o ouvinte terá uma condição diferenciada em detrimento da falta de leitura da mesma.
O mundo lê as letras do imortal Jorge Amado. As traduções e adaptações comprovam a popularidade desse escritor notável. Os leitores viajam à Bahia, a fim de reconhecer o cenário jorgeamadiano e conhecer o processo criativo de Jorge. Neste ano de comemoração dos 100 anos de Jorge Amado, julguei relevante criar um curso para render homenagens, pensando em algo inevitável, ler as obras de um autor que soube encantar várias gerações com seu estilo literário e evitar a ridicularização dessa produção. Considero importante ler as obras enquanto literatura, e não como cópia da vida, e muito menos meras crônicas de um bom contador de estórias. Considero, de fato, importante que os autores da região grapiúna tenham um destaque nas nossas escolas e mídia, e que eles tenham um reconhecimento como algo de grande valor na formação cultural e como identidade de nosso território baiano, que é um Estado feliz com nossos artistas literários, Gregório de Matos, Castro Alves e Jorge Amado, para citar os mais festejados.


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 Alderacy Pereira da Silva Júnior é professor e jornalista. Possui experiência como editor de revista e jornal, já lecionou língua portuguesa e cultura brasileira para estrangeiros. Foi coordenador do Núcleo de Práticas Leitoras do PROLER, Comitê de Viçosa, e Delegado Cultural de Mariana, Minas Gerais (2009). Na UESC, ministrou oficinas literárias Brincar de Ler e Nos bastidores da literatura infantil. Autor e professor da Oficina Jorge Amado fora da estante. E-mail:  alderacy1@gmail.com
 

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