A pergunta que faço tem várias razões. A primeira delas é que o verbo
“ler” não aceita o imperativo, assim como o verbo “amar”, com bem assinalou
Daniel Pennac, em Como um romance. A segunda é entender que ler uma obra
literária implica em uma leitura de fruição. A terceira é que Jorge Amado tem
uma obra diversificada e ricamente traduzida em muitos idiomas e linguagens
artísticas. A quarta é que estamos falando de uma das grandes personalidades
literárias do Brasil e um homem notável pela sua expressividade e participação
política na história de nosso País.
Não acredito que exista uma “leitura melhor”, “leitura correta”, porém
acredito que a forma diferenciada como lemos pode ser ampliada de maneira a nos
possibilitar compreender uma obra e sentirmos prazer ao ler. A obra
jorgeamadiana é citada de forma diversificada: nomes de rua, nome de empresas,
objetos artísticos e representações artísticas (charge, tirinhas, foto,
perfomace, etc). Certamente um leitor literário dessas obras, entenderá a
conexão estabelecida e ainda criará novas relações de sentidos. Ao ouvir as
músicas criadas baseada nesse rico universo literário, o ouvinte terá uma
condição diferenciada em detrimento da falta de leitura da mesma.
O mundo lê as letras do imortal Jorge Amado. As
traduções e adaptações comprovam a popularidade desse escritor notável. Os
leitores viajam à Bahia, a fim de reconhecer o cenário jorgeamadiano e
conhecer o processo criativo de Jorge. Neste ano de comemoração dos 100 anos de
Jorge Amado, julguei relevante criar um curso para render
homenagens, pensando em algo inevitável, ler as obras de um autor que soube
encantar várias gerações com seu estilo literário e evitar a ridicularização
dessa produção. Considero importante ler as obras enquanto literatura, e não
como cópia da vida, e muito menos meras crônicas de um bom contador de
estórias. Considero, de fato, importante que os autores da região grapiúna
tenham um destaque nas nossas escolas e mídia, e que eles tenham um reconhecimento
como algo de grande valor na formação cultural e como identidade de nosso
território baiano, que é um Estado feliz com nossos artistas literários,
Gregório de Matos, Castro Alves e Jorge Amado, para citar os mais festejados.
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Alderacy Pereira da Silva Júnior é professor e jornalista. Possui experiência
como editor de revista e jornal, já lecionou língua portuguesa e cultura
brasileira para estrangeiros. Foi coordenador do Núcleo de Práticas Leitoras do
PROLER, Comitê de Viçosa, e Delegado Cultural de Mariana, Minas Gerais (2009).
Na UESC, ministrou oficinas literárias Brincar de Ler e Nos bastidores da
literatura infantil. Autor e professor da Oficina Jorge Amado fora da estante.
E-mail: alderacy1@gmail.com


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