| foto: Karoline Vital |
O projeto Improviso, Oxente! segue
aprofundando as discussões sobre o tema-geral desta edição: A cidade é movida
pela cultura. “O ciclo do cacau na reestruturação de Ilhéus – Impactos
políticos, econômicos e sociais” será o assunto desta sexta-feira (20), quando
especialistas e público em geral poderão aprender mais sobre o assunto e trocar
opiniões. O debate começa às 19 horas na Casa dos Artistas de Ilhéus e tem
entrada franca.
A proposta desta edição do Improviso, Oxente!
é dialogar sobre os fenômenos que levaram Ilhéus a ser o que é hoje e traçar
metas para seu futuro. A iniciativa é fruto da parceria entre o Teatro Popular
de Ilhéus (TPI), grupo que administra a Casa dos Artistas, e o Instituto Nossa
Ilhéus. “O projeto quer pensar o destino da cidade não só para quatro anos, mas
para muito além. Nesta primeira etapa, discutiremos a Ilhéus que herdamos”,
disse o diretor do TPI, Romualdo Lisboa.
O último encontro do Improviso foi na
sexta-feira (13). Entre os convidados estavam o geógrafo Gilmar Trindade, que
falou sobre a gênese de uma cidade, e o historiador Marcelo Henrique Dias,
abordando a formação da Capitania de Ilheos. As exposições de ideias foram
intercaladas pela música de Cabeça e Pablo Lisboa e a performance artística dos
atores Amauri Oliveira e Ed Paixão.
O professor Gilmar Trindade explicou que a
conjugação entre relevo e fatores climáticos contribuiu para a povoação de
Ilhéus e, a produção do cacau no século XIX, ajudou a formar seu aparato
urbano. Ele ainda expôs que, junto com Itabuna, o município forma uma única
zona urbana, apenas um nível abaixo de metrópole. “Na década de 1950, o
geógrafo Milton Santos já dizia que Ilhéus olhava para fora da zona do cacau e
Itabuna para dentro. Ilhéus, com porto e aeroporto se conecta com o mundo.
Itabuna é cortada por rodovias e mantém relações com o interior. Assim, elas se
complementam”, informou.
O processo de ocupação territorial de Ilhéus foi
apresentado pelo professor Marcelo Henrique Dias explicando o papel dos
donatários, na época das capitanias hereditárias, no século XVI. Ele
explicou que o território era conquistado em nome do rei de Portugal, dividindo
as terras em sesmarias para a produção agrícola. “As sesmarias eram grandes e
originaram os primeiros engenhos de açúcar. O segundo donatário de Ilhéus,
Lucas Giraldes, recebeu a incumbência de criar oito engenhos”, ilustrou.
O projeto Improviso, Oxente! segue tratando
assuntos sobre a cidade que herdamos até o final do mês, fechando com a
discussão do ponto: “Ilhéus a partir da redemocratização do Brasil” . No
próximo mês, os subtemas estarão ligados o município que temos. No dia 02 de
agosto, o Instituto Nossa Ilhéus e o Instituto Arapyaú apresentarão indicadores
sociais da cidade, que ajudarão a pautar as discussões. “A intenção é
transformar o resultado dos debates em um livro, lançado pela editora
Mondrongo, do Teatro Popular de Ilhéus. A obra será entregue ao prefeito eleito
neste ano”, informou Romualdo Lisboa.
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