Minha ida a esse congresso se deu por
conta da possibilidade de trocar experiências com os participantes de uma
oficina de teatro ecológico que aconteceu no encontro.
Relatos
de minhas anotações entre os dias 05 e 08 de Abril - 2006
Depois de 35 anos de Estocolmo não
estamos pensando na crise ambiental, o planeta continua sofrendo alterações
climáticas e aquecendo gradativamente, continuamos contaminando os lençóis
freáticos, continuamos a devastar nossas florestas.
Um dos principais objetivos do V
Congresso Ibero-Americano de Educação Ambiental foi o de contribuir para que se
intensifique o fortalecimento das políticas públicas de EA de forma
emancipatória, além de renovar a “chama” da EA para Rever, Revisar e Reafirmar
o “Tratado de Educação Ambiental para
Sociedades Sustentáveis e Responsabilidade Global”, que foi assinado em um
evento paralelo a Eco92 no Rio de
Janeiro.
“A educação está passando por uma
crise, pois os professores não assumem um lado intelectual, que é necessário
para o desenvolvimento pedagógico”.
Por vezes nos sentimos impotentes, mas
a educação pode contribuir com a mudança dos hábitos seculares; educação é
pesquisa, educação é consciência coletiva. Devemos reconstruir um sistema
realmente preocupado com a educação. A EA pouco ocupa o espaço escolar, é
necessária uma maior articulação e todas as esferas da sociedade e do governo,
e que se haja uma preocupação com uma política-pedagógica que forme gestores,
professores e educadores.
Deve haver coletivos educadores reunindo os
diversos atores e atrizes no processo de EA, a fim de se criar uma outra visão de justiça socioambiental.
Devemos trabalhar para mudar a idéia
de que a EA tem que ser feita só para crianças, a fim de se preservar o mundo
para as futuras gerações. Para isso é importante que seja feito também um
trabalho com as pessoas mais velhas da atual geração, caso contrário, o fato
será sempre protelado com a desculpa de que as novas gerações é que precisam
apreender a preservar o meio ambiente.
Deve-se olhar para cada especificidade
com o intuito de se trabalhar com a realidade real e não a reportada, sendo que
a última, tem a intenção de amenizar a magnitude dos problemas.
É necessário que haja a participação
da sociedade para orientar a política ambiental, exemplos como o SISMUMA -
Sistema Municipal de Meio Ambiente e o Plano Diretor, que, mesmo com uma
atuação inicial da sociedade, vai-se aos poucos esmaecendo e perdendo a legitimidade
durante o decorrer desse processo participativo. Por isso precisamos nos envolver
durante todo o processo, acompanhado passo à passo cada etapa até a conclusão
dos mesmos.
Nos últimos 50 anos houve uma perda
muito grande da Biodiversidade, nos meados do ano 2000 desapareceram de 3.000 a 5.000 espécies. É
necessário reduzir a quantidade de material e energia utilizada. “Devemos
nos unir à propósitos maiores que nós mesmos, se alguém acha que vai impedir a
degradação ambiental sozinho, está enganado”. (Marina Silva Ministra do Meio
Ambiente)
Às vezes nos sentimos invadidos quando
outras pessoas fazem trabalhos de EA semelhantes aos nossos, esquecendo-nos que
procuramos educar as pessoas, e quando esse resultado aparece de alguma forma,
quer seja pelo fator multiplicador produzido por nós mesmos, ou por uma simples
coincidência de procedimentos de ações, ficamos chateados com essas pessoas que
lutam pela mesma causa, ao invés de trocar e compartilhar experiências.
“Em nosso caminho de lutas somos constantemente
confrontados, quando não somos confrontados temos que desconfiar, deve haver um
questionamento sobre tudo”. (Marina Silva Ministra do Meio Ambiente)
Devemos contagiar cada vez mais os
formadores de opinião. A maior verdade do JN – Jornal Nacional são os reclames,
pois são quem assumem que estão pagando pelo horário. O MST invadiu um
laboratório que investe em pesquisa para a monocultura, a mídia combateu os
“vândalos” do MST e os latifundiários, quando serão combatidos? Não quero aqui
incentivar qualquer tipo de ação violenta, pretendo apenas pontuar a
necessidade de uma mídia que identifique os diferentes pontos de vista e não
uma mídia direcionada que defende os interesses das minorias privilegiadas, 1%
da população brasileira detém 50% das terras. Sabemos também que há diferentes
níveis na esfera social, e que é impossível todos estarem no mesmo patamar, mas
que ao menos as condições básicas de uma vida digna sejam acessíveis a todos.
Ao falarmos de Ibero-América temos que
falar sobre tudo de uma América Latina de contrastes.
O que era a Europa até o século XV?
Eram grandes viajantes do oriente, a Grécia era Ásia, Alexandria-Egito, a
Europa se apropria da história e conta como se fosse sua. A Europa não era
nada, e porque tem essa centralidade que tem hoje? Por conta do descobrimento
das Américas, se não fossem as Américas a Europa não teria a centralidade que
tem hoje.
Muito dos conhecimentos científicos
foi levado dos Maias, Incas, Astecas, entre outros povos Pré-Colombianos.
Modernizar é sinônimo de colonizar? Esse pensamento que nos deformou foi
herdado da Europa.
A grande minoria dos mais ricos do
mundo consumem 80% dos recursos do planeta, 53% da população mundial é rural, 47%
da população mundial é urbana, desses 70% (África, Ásia e América Latina) vivem
em regiões suburbanas, dos 47%, 30% vivem na cidade prometida.
Temos que tomar cuidado com a
privatização da água, sem querer, estamos proliferando a idéia de
mercantilização desse bem tão precioso e que nos pertence.
O tempo é nossa maior riqueza: “-Quanto
mais lento mais adquirimos riqueza; tempo pra conversar com as pessoas,
diferente do ‘ time is money’, onde só se tem o tempo de acesso a riqueza quem
tem dinheiro.” (Carlos Walter Porto Gonçalves –
Universidade Federal Fluminense)
Os bens naturais são nossas maiores riquezas,
a água é riqueza, Midas com sede tocou a água, ela virou ouro, nenhuma riqueza
mata a sede, ou a fome. Essa é uma visão eurocêntrica que separa o homem da
natureza.
A globalização neoliberal é injusta e
insustentável, pois é exclusiva. Só a solidariedade pode remediar esta situação,
devemos viver pelos outros, buscando uma sustentabilidade ambiental com a
intenção de distribuição da equidade social, educando para a solidariedade.
“A ética pós-moderna indica a Preservação
e a Precaução, ao invés de Progresso e Desenvolvimento”. (Marcos Sorrentino –
Diretor de Educação Ambiental – DE/MMA)
Crescimento das cidades sem uma visão
de futuro, sem planejamento e projetos de soluções. Os valores humanos e os
direitos civis estão sendo deixados de lado pelos governantes. Cada vez mais o
investimento na área bélica tem aumentado. E a saúde? E a educação? Devemos
transformar o mundo com amor.
“Tempos de crise são tempos para se
refletir sobre mudanças”. (Carlos Razo - México)
Após a politização do meio ambiente e
o auge da ECO 92: O mercado prevalece, o protocolo de Quioto não avança, os recursos
de financiamento da Agenda 21 diminuíram. Um outro mundo é possível:
Contestação ao Neoliberalismo e uma nova utopia.
Uma pergunta incomoda: Sustentabilidade?
- Do quê? Pra quê? Quando? Onde? Por
quê? Por quanto tempo?
Sendo que a ciência reducionista trata
esses fenômenos de maneira fragmentada abstraindo-se das relações sociais, há
também uma pilhagem dos conhecimentos, dizem que os conhecimentos locais,
indígenas, entre outros não servem pra nada. Será?
V IBEROEA EM NÚMEROS
-CREDENCIADOS:
4.300 PESSOAS (300 estrangeiros e 4.000 brasileiros0
-22
PAÍSES
-60
CONFERENCISTAS
-80
ATIVIDADES
-1.502
PÔSTERES E 190 APRESENTAÇÕES ORAIS
-32
OFICINAS
-31
MINI-CURSOS
-27
GRUPOS DE TRABALHO
-3
CONFERÊNCIAS
-12
MESAS-REDONDAS
-13
LIVROS E 1 REVISTA LANÇADOS
-13
APRESENTAÇÕES CULTURAIS
-LANÇAMENTO
DA www.canal-ea.net
com 1.500 internetspectadores em 20
horas de programação
Estavam
presentes no V IBEROEA:
-Sheila Ceccon, coordenadora do
Programa de Educação Ambiental Fruto da Terra, da Secretaria de Educação de
Atibaia.
-Gislene e Michele, ambas de Atibaia,
estudantes da Universidade São Francisco, onde participam de uma pesquisa sobre
educação ambiental que é realizada em um sítio de Nazaré Paulista.
-Gislaine do IPE, também de Atibaia.
-Robert Rodrigues, diretor adjunto do
COMDEMA, conselheiro de meio ambiente do COMTUR, arte-educador ambiental,
educador mediador da Oficina de Cidadania – OPJ – Região 7.
___________
Bob Monteleone, é licenciado em Artes Cênicas pela Escola de Comunicação e Artes da
USP, pós graduado em Docência no Ensino Superior de Turismo, Hotelaria e
Lazer-SENAC, professor, diretor teatral e educador ambiental. Ministra cursos e
oficinas de teatro por toda região sul baiana.
Todas as semanas ele escreve sobre Teatro
Educação aqui no EUVEJOARTE.blogspot.com
Curtam seu Blog http://bob-recreare.blogspot.com.br/


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