Muitos
dramaturgos, diretores e até mesmo atores costumam esboçar um jeito particular
de levar ao palco algumas indicações ou até mesmo métodos de estudiosos do
Teatro. É o caso do ator, autor e diretor de Teatro, Roberto Cordovani que já
tive a oportunidade de vê-lo em cena há mais de vinte anos atrás no espetáculo
“Olhares de Perfil” no qual interpretava a atriz Greta Garbo. Lembro que estava
engatinhando no Teatro e fiquei fascinado pela interpretação profunda e,
extremamente, técnica na qual o ator conduzia a sua personagem. Doravante
passei a me perguntar: como ele conseguiu levar a plateia à catarse? O que ele
experienciou para que as pessoas pudessem estar num estado de purificação
através das diversas emoções transmitidas naquele drama?
E
eis que, Roberto Cordovani, está de volta a Ilhéus para apresentar o espetáculo
“O Retrato de Dorian Gray”, baseado na obra homônima de Oscar Wilde, que também
chegou às telas brasileiras no ano passado. Será, sem dúvidas, mais uma obra
prima do ator, pautado na dualidade da personagem e nas tragédias que o
cercavam. Afinal este é o tema da oficina que ministrará na próxima segunda e
terça-feira, no Teatro Municipal de Ilhéus já que falará da “catarse na
interpretação”. Falar de catarse, sem falar de tragédia é o mesmo que falar de palco
e não falar do ator.
Segundo
o site Desvendando Teatro “a tragédia é uma peça dramática de enredo sério que
promove uma catarse ou purgação no espectador ao assistir a luta dos
personagens contra poderes muito altos e mais fortes, que em geral os levam à
capitulação e à morte. A derrota das aspirações do herói trágico, muitas vezes,
é atribuída à intervenção do destino ou aos seus defeitos morais e vícios que
concorrem para o seu fim adverso”.
Catarse
é ainda é um termo de origem filosófica com significado de limpeza ou de
purificação pessoal, daí purgação. Provém do grego “kátharsis” e era utilizado
por Aristóteles para designar o efeito causado no público durante e após a
representação de uma tragédia grega. A catarse era o estado de purificação da
alma experimentada pela plateia através das diversas emoções transmitidas no
drama.
Alguns
psicólogos ainda usam o termo para designar o estado de libertação psíquica que
o ser humano vivencia quando consegue superam algum trauma como medo, opressão
ou outra perturbação qualquer. Pela regressão a catarse leva o indivíduo a
atingir diferentes emoções que podem conduzir à cura.
Assim,
recomendo a oficina de Roberto Cordovani. Talvez, muitos atores estejam mesmo
necessitando de uma purgação cênica. A oficina é uma boa oportunidade para que
as emoções possam ser manifestadas pelos participantes ao se confessarem
amantes da arte de interpretar.
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