Início

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

O Teatro e a Catarse - por PAWLO CIDADE


Muitos dramaturgos, diretores e até mesmo atores costumam esboçar um jeito particular de levar ao palco algumas indicações ou até mesmo métodos de estudiosos do Teatro. É o caso do ator, autor e diretor de Teatro, Roberto Cordovani que já tive a oportunidade de vê-lo em cena há mais de vinte anos atrás no espetáculo “Olhares de Perfil” no qual interpretava a atriz Greta Garbo. Lembro que estava engatinhando no Teatro e fiquei fascinado pela interpretação profunda e, extremamente, técnica na qual o ator conduzia a sua personagem. Doravante passei a me perguntar: como ele conseguiu levar a plateia à catarse? O que ele experienciou para que as pessoas pudessem estar num estado de purificação através das diversas emoções transmitidas naquele drama?


E eis que, Roberto Cordovani, está de volta a Ilhéus para apresentar o espetáculo “O Retrato de Dorian Gray”, baseado na obra homônima de Oscar Wilde, que também chegou às telas brasileiras no ano passado. Será, sem dúvidas, mais uma obra prima do ator, pautado na dualidade da personagem e nas tragédias que o cercavam. Afinal este é o tema da oficina que ministrará na próxima segunda e terça-feira, no Teatro Municipal de Ilhéus já que falará da “catarse na interpretação”. Falar de catarse, sem falar de tragédia é o mesmo que falar de palco e não falar do ator.
Segundo o site Desvendando Teatro “a tragédia é uma peça dramática de enredo sério que promove uma catarse ou purgação no espectador ao assistir a luta dos personagens contra poderes muito altos e mais fortes, que em geral os levam à capitulação e à morte. A derrota das aspirações do herói trágico, muitas vezes, é atribuída à intervenção do destino ou aos seus defeitos morais e vícios que concorrem para o seu fim adverso”.
Catarse é ainda é um termo de origem filosófica com significado de limpeza ou de purificação pessoal, daí purgação. Provém do grego “kátharsis” e era utilizado por Aristóteles para designar o efeito causado no público durante e após a representação de uma tragédia grega. A catarse era o estado de purificação da alma experimentada pela plateia através das diversas emoções transmitidas no drama.
Alguns psicólogos ainda usam o termo para designar o estado de libertação psíquica que o ser humano vivencia quando consegue superam algum trauma como medo, opressão ou outra perturbação qualquer. Pela regressão a catarse leva o indivíduo a atingir diferentes emoções que podem conduzir à cura.
Assim, recomendo a oficina de Roberto Cordovani. Talvez, muitos atores estejam mesmo necessitando de uma purgação cênica. A oficina é uma boa oportunidade para que as emoções possam ser manifestadas pelos participantes ao se confessarem amantes da arte de interpretar.

______________________


Pawlo Cidade é escritor, dramaturgo, diretor de teatro e membro da Academia de Letras de Ilhéus.

Nenhum comentário: