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| foto: Tacila Mendes |
Entretanto,
a ligação entre a realidade e o universo estético está longe de ser evidente.
Pensou-se – continua Patrice - durante muito tempo que essa ligação só poderia
ser direta e mimética, isto é, que a obra era um reflexo (ainda que muito
infiel) do mundo exterior. Então, é possível observar os processos de
representação, de estilização, até de deformação do universo pintado. Se, ao
contrário, se considerar que a escritura dramatúrgica e cênica não é submetida
direta e mimeticamente à marca do real, que ela modeliza a realidade a seu
bel-prazer, fica muito mais delicado retraçar a ligação com essa última. Para
isso, finaliza ele, é necessário apreender os processos de ficcionalização e
ideologização que indicam a passagem entre o texto dramático ou espetacular e o
intertexto.
Por
sua vez, o intertexto está ligado a teoria da intertextualidade que postula que
um texto só é compreensível pelo jogo dos textos que o precedem e que, por
transformação, influenciam-no e trabalham-no.
Da
mesma maneira, o texto dramático e espetacular situa-se no interior de uma
série de dramaturgias e procedimentos cênicos. Certos diretores não hesitam em
inserir no tecido da obra representada textos estranhos cujo único vínculo com
a peça é temático, paródico ou explicativo. O que se deseja com isso é por o
texto original à distância insistindo na materialidade.
Afinal,
há ou não há uma relação dialética entre a realidade e a forma dramatúrgica? A
resposta é sim. Desde que ambas respeitem suas limitações e se estabeleça uma
troca contínua entre seus significados e significantes. Bem, abri uma outra
questão que poderá ser apresentada em um outro texto.
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