Só nessa semana é
que eu vim saber sobre a tal Luíza que foi pro Canadá. Soube depois de todo
mundo, mas não me importei tanto. Segundo o meu camarada José Carlos Júnior, às
vezes também chamado de Juninho, mas não por mim: “O ser humano anda cada dia
mais besta”.
Mas vai ver que não achamos graça na
brincadeira porque simplesmente descobrimos depois que a onda passou. Nunca se
sabe; o subconsciente é uma ilha de edição.
Um amigo me ligou:
- E a Luiza, soube que está voltando?
- Que Luiza?
- A
Luiza que foi pro Canadá!
- Aquela que namorou Neto?
É claro que eu não sabia, mas ele me contou.
Fiquei, como diria o Juninho, com cara de abestalhado ante o carnaval em cima
do assunto. Mas, pensando melhor, deve ter sido algo realmente
interessantíssimo, já que todo mundo se amarrou. Eu é que cismo.
Mudando de assunto, fui ao lançamento da
Mondrongo, excelente nome por sinal. Lançamentos, na verdade - ambiente cheio,
alegre, pãezinhos de queijo e vinho pra distrair. Achei os quatro livros muito
bons, sem exceção. A turma não está para perder tempo, tampouco ficar em cima
do muro, e isso é combustível para todos nós. De tirar o chapéu. Lançar livro,
afinal de contas, é um negócio complicado para carilho.
Mudando, outra vez, de assunto, mas
continuando no mesmo universo, acabei de reler OVELHAS NEGRAS, do Caio Fernando
Abreu. Tem gente que não gosta e fala mal. Geralmente os ditos puristas. Acho
que por não conseguirem furar o bloqueio da linguagem não conseguem também ver
a força que há nos textos daquele sujeito – poesia, musicalidade e um lirismo
meio louco e inconseqüente que teima em ir na contra-mão. Uma literatura feita
de ousadia, talento e coragem.
Por falar no Caio, lembro que a Clarice
escreveu um prefácio para um livro dele, ela que não era chegada a prefácios.
Era, sim, uma Medusa louca e cheia de amargor. Incompreensível. Sempre tive um
medo danado daquele olhar dela. Há escritores que eu já me imaginei conhecendo.
Uma dessas coisas malucas que a gente pensa: sentar com um desses imortais e
conversar distraidamente sobre a literatura ou sobre como é fácil ou difícil
viver, beber um drink, ouvir conselhos. Com a Clarice eu não conseguiria isso.
Teria medo dela me olhar e eu virar estátua.
A Clarice que me perdoe, mas sempre fui meio
medroso mesmo.
Medo de roda gigante e boléia de caminhão,
medo da polícia, da milícia e do ladrão. Mas, ao mesmo tempo, um bocado valente
também. Tão valente que uma hora desvendo ou venço tudo: o universo, a vida, a
Clarice, a Luiza... ou simplesmente as deixo pra lá. Vale que certas coisas a
gente vence, outras a gente esquece e outras a gente só digere depois, quando é
pra digerir. Maturidade ou outro nome qualquer.
Penso que este dia talvez esteja perto. Ando
mais apressado ultimamente.
Foi o Drummond quem disse:
“Chega uma hora em que a vida é uma ordem.
A vida apenas, sem mistificações”.
Sem querer soar
pretensioso, acho que o Drummond seria mais fácil de encarar.
Rodrigo Melo é filho de Eduardo e Márcia, irmão de Juliano e Murilo, casado com Thalita, pai de Amaralina, uma menina linda, e é também brodão de Diná e Brooks, que joga umas danças por aí. Além disso, escreve uma coluna, blablablá, no diário de ilhéus, quase todos os sábados.
Rodrigo Melo é filho de Eduardo e Márcia, irmão de Juliano e Murilo, casado com Thalita, pai de Amaralina, uma menina linda, e é também brodão de Diná e Brooks, que joga umas danças por aí. Além disso, escreve uma coluna, blablablá, no diário de ilhéus, quase todos os sábados.