...mas o que move essas pessoas? É estranho, você observa
cada uma delas numa grande sala e prontamente as julga. Julga sim, as
vezes tão normalmente que você nem se dá conta que está agindo assim. É
simples. Basta conviver. Um casal senta à mesa na minha esquerda. A
mulher, de roxo e com laço verde nos pés, balbucia algumas palavras e
toca o homem de maneira menos genérica, como tocaria qualquer outro
homem, enquanto passa as mãos pelos seus cabelos já não mais tão
vermelhos.
O homem, não mais um rapaz, mas com a sua já quase
identidade apontando os quarenta anos de existência, não parece
compartilhar dessa abertura íntima por parte da mulher. O homem
conversa. A mulher parece impaciente, apesar de se mostrar entretida com
a conversa. Entenda a impaciência não por querer ir embora mas por
tentar fazer os seus sinais cada vez mais claros. E empurra a cadeira,
se aproxima mais, escuta-o. Ele deixou suas coisas à mesa junto à dela.
Seus olhares têm em si alguma eletricidade. Observo perifericamente os
olhares à boca.
De onde eu estou eu vejo a aproximação. Os óculos não tornam menos visíveis à maneira fixa com que ela grava o rosto, grava os cheiros, o tato.
...e eu me pergunto, o que move essas pessoas, ou melhor, o que move
as pessoas?
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Pedro Paulo é estudante, escritor, pensador nas horas vagas e poeta quando a inspiração vem. Há 14 anos vive na Bahia, terra que o inspira e onde nasceram seus primeiros versos. Atualmente escreve no Domingo Literário aqui no EuVejoArte.blogspot.com e seu blog pessoal é
Que tipo profusão química acontece dentro dessas pessoas? E dentro
dessa mulher? E desse homem? Farão isso por mero interesse barato? O
que mais há em jogo? Existe um jogo?
Essas perguntas tem uma miríade de respostas.

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