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quinta-feira, 5 de julho de 2012

“O Teatro Municipal nunca foi tão nosso” - por ANTÔNIO MELO


foto: Ana Lee
Dias desses ouvi na televisão que para ser universal, bastava cantar nossa aldeia. É uma frase muito forte e intrigante apesar de curta. Mexe no interior do pensamento. Traduz o micro e o macro. O dentro e o fora. O tudo e o nada. É como se olhássemos para o horizonte sem perder nossas referências, muito menos o contato com o chão, base sólida, alicerce, raízes, nossa gente.
Hoje, sem alguma pretensão, me lembrei dessa frase quando no lançamento do CD oficial da Banda OQuadro, no Teatro Municipal agora a pouco. Eu acho que é por aí que essa galera está trilhando.

Com um espetáculo maduro e uma direção precisa, a banda mostrou que dezesseis anos de estrada e vários percalços pelo caminho, fez muita diferença quando o quesito é entrosamento e ousadia. Acertou o repertório rico, na estética e letras densas sem perder a leveza e a plasticidade do conjunto. Com temas atuais ou históricos, a galera encantou a cada música executada ditando a inteligência nunca perdida, sempre presente e audaz. Muito emocionante perceber o público vibrando a todo momento, como se estivesse reconhecendo neles nossos anseios mais generosos. A cada vídeo, a cada intenção posposta nas entre linhas, o público saboreava avidamente tudo, sem perder um milímetro sequer do espetáculo. A iluminação tão afinada quanto os mestres. O Teatro Municipal nunca foi tão nosso.
Desde 1996, a cidade acompanha com olhos atentos a banda saída das salas de aulas de escolas públicas para o caminho natural pra quem objetiva algo maior que é o mercado nacional. Cantar com esse ou aquele artista só mostrou que os meninos estão bem na fita. Em nada fica devendo aos “grandes artistas”. Reunir sete talentos em um mesmo foco não é para qualquer um. Infelizmente ou felizmente, tem de ter qualidade, honestidade na proposta, bala na agulha, senão estará fadado a sazonalidade do mercado fonográfico que de tão prático, troca o passageiro insosso por outro imbecil para a alegria da população.
Como eles mesmos dizem, “bem aventurado os que não morrem estagnados, benditos sejam os que evoluem”. Estarei na cola deles para jamais estancar minha música, meu pensamento, meu olhar. Entendo música como perfeita sincronia entre o movimento e os que se deixam movimentar. Ouvir OQuadro me fez refletir isso.
 
Obs: aos que perderam o show, quem sabe o download das músicas não aplacaria a curiosidade?


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Antônio Melo é músico e um observador atento das manifestações artísticas da região. 

3 comentários:

Thiago Dias disse...

O show foi emocionante. parabéns pelo texto: captou bem a atmosfera do evento.


saudações

Anônimo disse...

excelente texto mano!!!!!

Anna Karenina de Oliveira disse...

"Se você é universal, então pinte sua aldeia" - Tolstoy. É isso aí, expressou com simplicidade e sutileza, um artigo sincero, verdadeiro.